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Boyle, Robert (1627-1691), nasceu em Lismore, Irlanda, em 25 de janeiro de 1627 e morreu em Londres, Inglaterra em 30 de dezembro de 1691. Nasceu em uma família rica e estava ligado por sangue ou casamento a todas as famílias Anglo-Saxônicas de sua época. Era o mais jovem filho de uma família de 14 filhos. Aos oito anos, depois de um período de ensino particular em casa, ele foi estudar em Eton, onde os filhos dos nobres iniciavam seu aprendizado. Mais tarde, aos doze anos, foi para o continente, onde um cidadão de Genebra o educou e ensinou-lhe a matemática prática. Depois, foi introduzido na nova ciência incluindo "Dialogue on the Two Chief World Systems" de Galileo, que ele leu em Florença em 1642.                                                             A explosão da guerra Anglo-Saxônica e também a guerra civil na Inglaterra fez com Boyle retornasse para casa. Foi apresentado a Samuel Hartlib, quem parece, fez com que se interessasse por Medicina. Da Medicina passou para a Química, onde iniciou como preparador de medicamentos, mas logo se tornou um criador de produtos químicos. Boyle leu todos os livros de químicos publicados em inglês, francês e latim e também leu os livros dos escritores mais importantes de outras áreas. Seu rápido interesse por Astronomia persistiu por algum tempo, mas a influência de Bacon e Descartes fez com que se interessasse por problemas mais amplos. Logo seus pensamentos coincidiram com os dos líderes do movimento científico da Inglaterra, ao qual se juntou em Oxford em 1656.                                               Após a Restauração, Boyle esteve frequentemente em Londres, onde se fixou em 1668. Ele foi um dos fundadores da Sociedade Real, da qual foi a pessoa mais influente e notável por toda a sua vida. Foi também um simpatizante das questões irlandesas .Apesar de estar freqüentemente doente, Boyle permaneceu trabalhando em seus objetivos científicos com a ajuda de seus assistentes (dos quais muitos se tornaram cientistas famosos) até a sua morte. Foi um autor prolífero, escrevendo sobre ciência, filosofia e teologia.                                                                                                                               Embora o primeiro interesse científico de Boyle tivesse sido a química, seu primeiro livro científico publicado (o qual firmou sua fama) foi sobre pneumática: New Experiments Physico-Mechanicall,Touching the Spring of the Air and its Effects (1660). Três anos antes, leu a experiência de Guericke sobre uma bomba de ar, e percebendo o potencial científico do instrumento, colocou seu assistente de laboratório para projetar uma nova bomba de ar. O sucesso do projeto de Robert Hooke permitiu que Boyle inventasse e realizasse uma série de experimentos sobre a natureza física do ar. Ele provou que o fenômeno do experimento de Torricelli era, na verdade, causado pelo ar; que o som não se propagava no vácuo; que o ar era essencial para a vida e para o fogo e que o ar era permanentemente elástico. No apêndice da segunda edição do New Experiments (1662), ele relatou sua última descoberta sobre uma relação quantitativa (que o volume varia inversamente com a pressão: P.V = constante) logo chamada de lei de Boyle. Ele enfrentou diversas críticas (incluindo Hobbes) que tentaram defender e sustentar que não havia nada parecido com o vácuo e que alguma força misteriosa, parecida com a pressão atmosférica, era a responsável pelo fenômeno associado à sucção de bombas.                                                                Durante toda a sua vida, Boyle publicou inúmeras considerações sobre experiências in vacuo. Talvez, a experiência mais preponderante de todas tenha sido a que mostrou que muitas frutas e vegetais contém ar (realmente dióxido de carbono) que é liberado durante a fermentação. Embora a reputação de Boyle em física experimental esteja apoiada em seus experimentos pneumáticos, ele também trabalhou no campo da hidrostática. Seu Hydrostatical Paradoxes (1666) é uma crítica ao trabalho de Pascal em hidrostática, repleto de observações perspicazes sobre o método experimental de Pascal e tem também uma série de experimentos importantes e inteligentes sobre pressão de fluidos.                                      Os experimentos da bomba de ar mostraram ser Boyle um oponente aos cientistas Aristotélicos e Escolásticos, além de um hábil e original físico experimental. Suas atividades científicas fizeram com que acreditasse na necessidade de estabelecer uma teoria química, científica e racional fundamentada em experiências concretas. Em 1660 ele tinha parcialmente preparado uma série de dissertações sobre o assunto e se ocupou pelo resto de sua vida com experimentos e argumentos para sustentar seus pontos de vista. Sua primeira declaração de posição foi publicada em 1661 em Certain Physiological Essays.            Boyle teve grande influência de Bacon e Descartes. De Bacon, aprendeu a observar o calor como um modo de movimentação da menor partícula da matéria, também aprendeu a acreditar que as experiências poderiam conduzir a uma demonstração e na possibilidade de provar a existência de certas partículas, o que poderia ajudar na dedução de como o formato e a movimentação das partículas poderiam preparar uma explanação das propriedades dos campos observados.                                                   Semelhantemente, Boyle utilizou várias explanações específicas sobre as propriedades da matéria de Descartes por exemplo, a visão de que a solidez e a fluidez dependem da quantidade de movimento relativo das partículas constituintes, embora tenha rejeitado a detalhação da estrutura das partículas feita por Descartes.                                                                                                                                Boyle era um eclético, o que mais importava para ele era destruir todas as formas e qualidades Aristotélicas, ou melhor, explanações semânticas como a "forma do calor" e substituí-las por explanações mecânicas e racionais a que ele chamou de "os dois maiores e mais católicos princípios :matéria e movimento.                                                                                                                                        Mecânica, para Boyle e seus contemporâneos, estava sempre em oposição aos "Aristotélicos" e ao místico; explanações mecânicas eram racionais. Não era menosprezar a majestade de Deus comparar seu poder de criação ao de um relojoeiro, o criador do mecanismo mais bem elaborado do século 17. A primeira pretensão de Boyle em Certain Physiological Essays, e em outros textos era refutar a velha visão Escolástica e Aristotélica e estabelecer a visão mecânica em seu lugar. Seu segundo objetivo foi demonstrar que este método era feito experimentalmente, e ele devotou grande cuidado e engenho idealizando e inventando (e conduzindo) experimentos que deveriam demonstrar a não existência das supostas "formas substanciais" e "reais qualidades" e a existência de partículas cujos tamanho, forma e movimento poderiam facilmente e racionalmente serem consideradas pela observação do comportamento e propriedade da matéria. Os vários experimentos pelos quais seu trabalho foi preenchido, foram úteis até mesmo para aqueles que não aceitavam suas conclusões, e estes experimentos, como os que demonstravam a produção mecânica de calor e magnetismo ainda causam admiração.                              Desde que Boyle rejeitou ambos os átomos dos epicurianos e do complexo hierárquico das partículas de Descartes, preferindo a palavra neutra "corpúsculo", suas discussões eram aceitáveis e convincentes a todos os filósofos mecânicos, independentemente da teoria da matéria que eles escolheram.            Ninguém, a não ser um aristotélico dedicado, poderia achar os argumentos de Boyle não convincentes; a única questão era se o imenso trabalho experimental era válido ou não. Racionalistas como Huiggens e Leibniz estavam inclinados a duvidarem do valor da demonstração experimental através da razão lógica. Em 1662 e 1663, Boyle conduziu (através de Henry Oldenburg que era seu editor e agente literário) uma longa disputa com Spinoza na questão de que os experimentos poderiam promover prova: para Spinoza, somente o pensamento lógico poderia prover a convicção que Descartes ensinou ao mundo filosófico a considerar como prova, enquanto experimentos poderiam somente confirmar ou refutar; para Boyle, experimentação era um ingrediente essencial como prova, enquanto os argumentos lógicos mereciam o significado de uma hipótese. Isto era uma diferença importante nos métodos científicos do século 17. Apesar de Boyle, no início, ter tido somente poucos discípulos, a sua influência foi muito grande. Um de seus seguidores assíduos foi Newton, um cuidadoso e impressionante estudante dos estudos de Boyle.      O reconhecimento de Boyle sobre a complexidade dos acessos experimentais eram muito pequenos. Poucos antes dele haviam percebido que o empiricismo requeria técnicas e trabalho com procedimentos metódicos. Uma razão para o tédio de seus trabalhos era seu desejo em descrever seus experimentos fielmente, e de modo que outros poderiam seguir. Ele também era sempre cuidadoso em descrever experimentos que não tiveram sucesso, procedimento que ele defendeu em dois dos Certain Physiological Essays, como essenciais ao progresso na filosofia experimental. Não empíricos devem ter achado todo seu trabalho cansativamente prolixo, mas heuristicamente foi importante e influente. Através de seus escritos sobre seus experimentos, Boyle ajudou a estabelecer os métodos experimentais em muitos ramos da física e da química.                                                                                                                     Ele foi sempre relutante em antagonizar aqueles com convicções fixas e esteve frequentemente inclinado a evitar entregar-se a uma visão definida e limitada. Entretanto, ele nunca descreveu satisfatoriamente suas próprias explicações da causa da elasticidade do ar, apesar de ter escrito muitas vezes sobre o problema. De fato, ele foi muito longe neste livro sobre a bomba de ar ao citar sua analogia, originada pelo anatomista Jean Pecquet, entre as partículas de ar e molas de madeira natural, uma analogia que ele mesmo quase certamente não aceitava como explicação, ainda que seus leitores deste livro não puderam saber de suas dúvidas posteriores, hesitações e tentativas para chegar a uma explicação mais satisfatória (de fato, parece que ele sustentou que a elasticidade era causada por uma combinação da forma do movimento das partículas).                                                                                              Novamente, apesar de ter ficado bem claro que a causa do aquecimento não é mais do que o movimento vibratório das partículas, ele nunca definiu claramente o frio (mera falta de movimentação), mesmo no tratado especial que escreveu New Experiments and Observations Touching Cold (1665), o qual apresenta discussões valiosas sobre termometria e o congelamento de misturas. Ele também falou ambiguamente sobre a natureza do fogo e da luz; e sua convicção de que todas as propriedades devem residir nas propriedades das partículas deu-lhe resultados curiosos, quando em seus Experiments and Considerations Touching Colours (1664) ele tentou entender o que fazia a matéria parecer colorida. Branco e preto (reflexão total e absorção total da luz, respectivamente), foram entendidas por ele e ilustradas brilhantemente, com o que se considera clássicos experimentos, ao notar os efeitos de tecidos branco e preto deixados sobre a neve num dia ensolarado. Ele também entendeu as cores nas bolhas de sabão, e em vidros finos ("anéis de Newton"), mas não a relação entre a luz e a cor, e nem tentou explicar esta relação ou as cores prismáticas, em termos de modificação da luz. Ele entendeu a luz como um resultado da ação das partículas materiais dos corpos. Entretanto, na verdade, deve ser notado que Boyle apreciou o tratamento de acordo com a luz de Hooke em sua Micrographia (1665), e de Newton em seus trabalhos sobre cores e luzes (1672,1675) e reconheceu a superioridade destes em relação a ele na Óptica.        Não foi surpreendente que Boyle considerasse efeitos extraordinários como o fenômeno luminoso como o resultado da configuração das partículas, pois afinal das contas, ele era um químico, assim como um físico, e química foi a primeira ciência que ele dominou. Ele era um prático e devoto técnico em química aos 20 anos, quando se voltou à física experimental (na forma de pneumáticos) apenas aos 30 anos de idade. É verdade que muitas de suas idéias sobre a natureza e a estrutura da matéria foram formuladas antes de começar a trabalhar na bomba de ar, mas tornou-se aparente, que, se alguém estudar seu trabalho cronologicamente, verá que seu primeiro contato com o assunto foi como químico. De fato, sua primeira publicação específica sobre a teoria corpuscular da matéria Certain Physiological Essays, também contém sua primeira publicação sobre química experimental. Esta é a consideração do terceiro ensaio, intitulado "Algumas espécies de uma tentativa em fazer da Química Experimental útil para ilustrar as noções da filosofia corpuscular", com o subtítulo "Um ensaio fisico-químico", contendo um experimento mencionando a diferenciação das partes e a reintegração de sal de pedra; o ensaio era subsequentemente referido por Boyle como "Um ensaio em Nitro". Este, como ele indicou, era uma tentativa de usar um experimento químico puro (a conversão do KNO3 por meio de uma lâmpada incandescente de carvão e sua reconstituição subsequente das partes fixas e voláteis) a fim de demonstrar a probabilidade forte da existência de partículas que poderiam persistir através de mudanças físicas e químicas. Boyle reconheceu isto como uma aproximação desconhecida, e também viu isto como uma tentativa de mostrar aos químicos que a visão dos físicos, o emprego da filosofia mecânica poderia ser útil aos químicos; para considerar que ela contribuía muito para um entendimento da reação envolvida em um pensamento em termos de partículas (tanto simples quanto complexas). Ele expressou na discussão preliminar que esperava "causar um bom entendimento entre os químicos e os filósofos naturais", um desejo somente parcialmente atingido.                                                                                                                                                       É difícil imaginar como pareciam confusas as reações antes dos químicos pensarem em termos corpusculares. A química nos dias de Boyle ainda aplicava em alguns casos os procedimentos Aristotélicos: a única possibilidade de quebrar uma substância como o nitro é resolvê-lo em duas componentes. Elementos do século 17, como os elementos gregos, mas diferentes dos elementos do século 19, não eram meramente os corpos simples com os quais as substâncias químicas poderiam ser analisadas ou explicadas; eles eram também os ingredientes necessários para todos os corpos, as substâncias com as quais todos os corpos eram analisados. Então, se o sal era considerado um elemento, então ele estaria presente em todos os corpos e apareceria como um produto de rigorosa análise. Boyle não só pensou que os corpúsculos fossem as únicas coisas presentes em todos os corpos, como suspeitou que nenhum deles aceitasse elementos como a terra, ar, fogo e água dos Aristotélicos; o sal, o enxofre, o petróleo, e o ácido eram elementares, assim como o termo que estava sendo estudado. Ele tentou explicar tudo isto no Sceptical Chymist, uma peça literária curiosa, muito mal interpretada nos tempos modernos. Aqui, apesar do que é usualmente dito, Boyle não deu uma definição moderna de um elemento, mas (especialmente e intencionalmente) uma definição de um elemento, como era entendido em seus dias. O trabalho foi lançado em um diálogo, talvez uma imitação de Galileu, talvez meramente como uma relíquia da literatura juvenil de Boyle; seu valor em seus dias, fora sua mensagem principal, era o valor da química experimental, como o "Essay on Nitre", que demonstrou aos químicos como empregar termos corpusculares na explicação e também apresentou novos fatos químicos. Pelo prolífico experimentador que era, Boyle quase sempre encontrou novas combinações e reações químicas, assim como algumas substâncias químicas; sendo a mais conhecida o hidrogênio, mas também havia vários tipos de compostos de cobre e mercúrio. Diferentemente de outros químicos de seu tempo, ele nunca enfatizou a novidade de tais preparações, eram tão somente as reações e suas interpretações que lhe interessavam.                                    Convencido de que o termo elemento, como era usado na época, era um conceito errado, Boyle nunca aproximou-se da definição moderna, a qual emergiu durante o século 18 como influência de seu ensinamento. Parece que ele nunca sentiu a falta de qualquer elemento, fora os corpúsculos, nisto ele era, talvez, como muitos de seus colegas reclamaram, físico demais, e muito pouco químico no seu modo de pensar. Mas seu ceticismo não o impediu de reconhecer pelo menos algumas classes de substâncias através de um método, mais em moda e muito mais útil aos químicos do que o procedimento antigo. Caracteristicamente ele chegou a sua classificação empiricamente e através de uma investigação física e química combinadas.                                                                                                                                     As mudanças de cor observadas nas reações químicas sempre interessaram Boyle, especialmente a partir do momento no qual ele pensou que elas demonstravam quanto evanescentes e não reais as formas Aristotélicas eram; na Sceptical Chymist ele descreveu inúmeras reações envolvendo mudanças de cor. Ele foi ainda mais longe no Experiments and Considerations Touching Colours, sendo que aqui ele não somente descreveu vários modos de produzir cores, como a conversão de uma solução vegetal azul em vermelha ou verde. Ele enfaticamente indicou um uso para estas transformações de cores: classificação química e identificação. Era sabido há muito tempo que alguns ácidos tornavam o xarope de violeta, azul, em vermelho; Boyle foi o primeiro a perceber que todos os ácidos o faziam e que as substâncias que não o faziam não eram ácidos (uma distinção atrevida mas útil). Ele também foi o primeiro a notar que todas as bases tornavam o xarope de violeta verde. Isto o deixou com três classes de sais: ácidos, bases e os que não eram nem um nem outro. Ele reforçou sua classificação empírica ao observar que o azul opalescente da solução amarelada de "lignum nephriticum" (uma madeira sul americana com supostas virtudes médicas e de interesses ópticos consideráveis) era destruída quando a solução era acidificada e poderia ser reformulada pela adição de base.                                                                                                            Estes testes também permitiram a Boyle determinar a pureza das substâncias químicas trazidas de boticários. Ele descobriu uma nova e útil transformação de cores ao demonstrar (que ele sustentava ter deduzido), que bases diferentes dão diferentes precipitados coloridos com a sublimação do mercúrio: "bases vegetais" (carboneto de potássio e possivelmente carboneto de sódio) resultavam em um precipitado laranja (na forma de óxido de mercúrio), enquanto que "bases animais" (compostos de amônia) resultavam em precipitado branco (cloreto de amônia e mercúrio). Desde que a clareza da solução era já conhecida por tornar-se turva quando adicionada a solução de nitro, Boyle agora tinha a habilidade em distinguir todos os tipos de base.                                                                                                                  A importância destes testes, sobre os quais Boyle depositou absoluta confiança, era muito grande; no século 17 ainda havia muita confusão sobre a identidade, sem mencionar a composição, de várias substâncias simples. Ele achou necessário, por um lado, insistir que todos os sais não eram sais comuns, mas, como o sal de tártaro, a amônia e os sais vegetais eram todos um sal (um ponto não muito apreciado por seus contemporâneos). Muitos químicos de seus dias insistiram em generalizações como a hipótese do ácido-base (a qual afirmava que todas as substâncias ou eram ácido ou eram base, e todas as reações eram neutralizações).                                                                                                                              Boyle foi o único a perceber a necessidade contínua do cuidado em examinar a pureza, em testar a composição e pesquisar por diferentes químicas e similaridades. O quanto metódico ele era é amplamente demonstrado em duas investigações sobre a natureza do fósforo, The Aerial Noctiluca (1680) e New Experiments and Observations Made Upon the Icy Noctiluca (1682), durante o curso do qual descobriu as propriedades químicas e físicas do fósforo e do ácido fosfórico, e em Short Memoirs for the Natural Experimental History of Mineral Waters (1685), um admirável conjunto de informações analíticas. Poucos químicos de seu tempo pareceram ter tido paciência para elaborar um procedimento analítico, apesar disto ter-se transformado em algo mais comun no século seguinte.                                                                 Ao seu trabalho sobre bases e ácidos, Boyle adicionou vários outros testes específicos: para o cobre pela coloração azul de sua solução; para a prata por sua habilidade em formar cloreto de prata, com sua característica de escurecimento com o tempo; para o enxofre e vários outros minerais ácidos pela suas reações características. Algumas destas eram novas, outras eram já vistas há anos ou mesmo há séculos. Estes testes proporcionaram-lhe a capacidade de discutir a composição das substâncias, que podem ser chamadas somente de termos positivistas, ou seja, em termos de componentes empiricamente determinados ao invés de metafísicos, elementos a priori. Este foi, talvez, a maior contribuição de Boyle à química, e mesmo que poucos cientistas o tenham seguido, a maioria deles percebeu a utilidade da distinção em análise entre os componentes verificáveis empiricamente e os elementos a priori. Quando isto ocorreu, o trajeto ficou aberto para os imensos passos a serem realizados na química experimental do século 18. E apesar de ser possível praticar este tipo de química sem dirigir mais que louvores à filosofia corpuscular (uma teoria física, acima de tudo), não há duvidas que Boyle foi ajudado por sua aderência à filosofia corpuscular, e talvez nunca tivesse formulado seu novo método químico sem o seu hábito de pensar em termos corpusculares. E não foi sem significado que essa nova maneira física de aproximação química foi introduzida na França por William Homberg, que trabalhou por algum tempo no laboratório de Boyle.                                                                                                                                 Em sua vida, Boyle foi honrado não só como um físico e um químico original, mas também como um grande expoente da filosofia experimental inglesa, e o sustentáculo da Sociedade Real, além de um prolífico escritor em teologia natural, o ponto onde a religião e a ciência se encontravam. Ele era um homem devoto e escrupuloso e um cientista-investigador muito voltado ao seu trabalho. Felizmente ele não experimentou conflitos de consciência: para ele um Deus que podia criar um universo mecânico, que poderia criar matéria em movimento, obedecendo certas leis das quais o Universo que conhecemos poderia transformar-se numa forma antiga, deveria ser muito mais admirado e adorado que um Deus que criou o Universo sem leis científicas.                                                                                                                     O Deus de Boyle está na mesma relação de um construtor de relógios assim como este está para um selvagem, que pensa que um relógio é uma criatura viva porque seus braços se movem. Boyle nunca se cansou de escrever sobre este assunto, seus pensamentos tornaram-se mais devotos quanto mais ele estudava as maravilhas da natureza. Nem todos os seus livros sobre assuntos religiosos eram ramificações de seus esforços científicos, mas muitos o foram, e foram estes que se tornaram influentes.      Com sua morte, Boyle deixou uma quantia de dinheiro para fundar as Conferências de Boyle (sermões, realmente), dirigidos à na refutação do ateísmo, e seus contemporâneos imediatamente concluíram que seus argumentos científicos contra o ateísmo serviam para atrair os avanços científicos de seu tempo. Desde a primeira e mais famosa série das Conferências de Boyle, por Robert Bentley, havia inúmeros argumentos e ilustrações retirados das discussões de Bentley com Newton. Subsequentemente a Conferência de Boyle (por Clarke, Whiston, Woodward, Derham, entre outros), criou estes padrões para produzir o que era pensado como uma característica do século 18, da forma natural da religião, muito menos formal e teológica que qualquer coisa usual dos dias de Boyle.                                                    Nisto, e em muito mais, Boyle deu o tom e inspirou os métodos de pensamento amplamente aceitos pelas duas gerações seguintes. Em grande parte isto aconteceu porque os Newtonianos do século 18 encontraram as opiniões, as descobertas e os métodos científicos de Boyle nos suplementos de Newton.                                                                                                                                      Historiadores modernos vêem nisto um sinal da influência muito nítida de Boyle sobre Newton; Newtonianos vêem isto como uma prova de que a "Nova Ciência" era um produto dos métodos ingleses proclamados nas patentes da Sociedade Real.